Desde criança, Luana sabia o que queria ser. Médica. Não porque alguém havia pedido, não porque era uma herança de família — mas porque ela sentia, de um jeito muito particular, que queria entender o corpo humano. Queria ajudar. Queria curar.

O problema é que estudar parecia impossível.

O cérebro que não parava — e ao mesmo tempo não conseguia começar

Luana se sentava à mesa de estudos e a mente voava. Não de forma prazerosa — voava sem direção, pulando de um pensamento para o outro sem conseguir se fixar em nada. Ler um capítulo inteiro? Raramente. Memorizar o conteúdo da aula anterior? Parecia que a informação escorregava antes mesmo de entrar.

“Eu me achava burra”, ela conta. “Todo mundo conseguia ler, estudar, passar nas provas. Eu tentava o dobro e chegava na metade.”

O cansaço não era de preguiça. Era de esforço constante — de tentar segurar algo que insistia em escapar.

A medicação que não resolveu

Quando o diagnóstico de TDAH chegou, Luana sentiu alívio. Tem um nome. Tem solução. Começou o tratamento com medicação — o caminho padrão, o mais rápido.

Durante algumas semanas, pareceu funcionar. Mas os efeitos colaterais foram aparecendo: insônia, apetite zero, uma irritabilidade que ela não reconhecia em si mesma. E o mais frustrante: mesmo com a medicação, o problema de fundo não havia mudado. Ela continuava sem conseguir organizar o pensamento de verdade. Continuava esquecendo.

“Eu tomava o remédio e ficava travada de outro jeito.”

A descoberta: um cérebro com conexões fora de sincronia

Luana chegou ao Instituto pesquisando alternativas. A primeira consulta com a Dra. Valéria foi diferente de qualquer coisa que ela havia vivido antes: uma investigação completa — não do sintoma, mas da pessoa.

O mapeamento cerebral neurofuncional (qEEG) foi o exame que mudou a narrativa. O resultado mostrou algo específico: regiões cerebrais que deveriam trabalhar em conjunto estavam dessincronizadas. Não era falta de esforço. Era o jeito como o cérebro de Luana estava organizado — e isso podia ser trabalhado.

“Foi a primeira vez que alguém me mostrou por que eu era assim. Não só me disse que eu tinha TDAH — me mostrou onde, como, e o que podia ser feito.”

O plano que foi feito para ela — não para um diagnóstico

O tratamento montado pela Dra. Valéria combinou três frentes:

Neuromodulação: sessões de estimulação para trabalhar diretamente a sincronização das redes neurais identificadas no mapeamento. Não um protocolo genérico — um protocolo desenhado para o padrão específico de Luana.

Ajustes metabólicos: exames identificaram deficiências que impactavam diretamente a função cerebral. Pequenas correções fizeram diferença mais rápido do que Luana esperava.

Sono e alimentação: dois pilares que pareciam óbvios, mas que nunca haviam sido investigados a fundo. O impacto no foco era direto — e ignorá-los tornava qualquer outro tratamento menos eficaz.

A mudança que foi chegando em camadas

Não foi da noite para o dia. Luana gosta de descrever como um desfoque que vai clareando aos poucos.

Primeiro, o sono melhorou. Depois, ela percebeu que conseguia terminar um capítulo sem ter que voltar ao início três vezes. A ansiedade — que ela nem associava ao TDAH — foi diminuindo. A cabeça ficou mais quieta.

“Teve um dia que eu li 40 páginas de uma vez e percebi só quando terminei. Chorei.”

Com o pensamento mais organizado, estudar deixou de ser uma batalha. As informações começaram a ficar. As conexões entre os conteúdos começaram a aparecer de um jeito que antes parecia impossível.

O dia em que ela disse “eu vou conseguir”

Luana passou no vestibular de Medicina.

Não na primeira tentativa — mas passou. E quando chegou o resultado, ela disse que o que sentiu não foi surpresa. Foi confirmação.

“Eu sempre soube que queria. Mas eu não sabia que era possível. Acho que essa é a diferença: eu aprendi que o meu cérebro podia funcionar de outro jeito. Que eu não era limitada — eu só precisava de um tratamento que entendesse o que estava acontecendo de verdade.”

Hoje, Luana está no quarto ano de Medicina. E quando fala sobre a Dra. Valéria, diz algo que ficou registrado:

“Ela não me curou de nada. Ela me ajudou a entender o meu cérebro — e isso mudou tudo.”